quinta-feira, 25 de junho de 2009

O cúmulo da ignorância...

Um padre da Igreja Católica Ortodoxa Bizantina, em São Gonçalo, e sua esposa foram ameaçados de morte, no domingo, por meio de pichações no muro da capela São Expedito e São Jorge, que fica no bairro Pita.

De acordo com o padre Carlos Antônio Coutinho da Costa, de 50 anos, vizinhos e comunidade não entendem que o sacerdote da vertente Ortodoxa pode ser casado.
— Desde que comecei a pregar aqui, há dez anos, minha família e eu sempre fomos hostilizados. Sou considerado um padre falso e charlatão. As pessoas não nos entendem e se sentem revoltadas. Para elas, padre tem que ser solteiro. Mas, na Igreja Ortodoxa, o casamento é permitido — explica Costa, que é o bispo responsável pela religião em quatro estados do país.

Por volta de 2h da madrugada, o padre acordou com barulhos e viu três rapazes, de aproximadamente 20 anos, fugindo com um pedaço de planta nas mãos. Segundo o sacerdote, os jovens teriam escrito as ameaças dirigidas a ele e a sua esposa: “Padre safado vai morrer. Leíse vai morrer”.

Assustado com a intimidação, ele registrou o caso na 73 DP (Neves) e identificou os vândalos:
— Fui à polícia porque pensei: “e hoje? Como vai ser?” — diz. — Na vizinhança, ninguém me suporta. Não tenho amigos. As pessoas não me cumprimentam e viram a cara para mim. Minha esposa e meus filhos também são rejeitados.

Agora, o sacerdote planeja sair do Pita. Além das ameaças, a hostilidade não o deixa realizar seu trabalho:
— Vou bater os pés, tirar a poeira das sandálias e ir embora, como diz na Bíblia, porque não fui bem recebido por aqui.

Seria o amadurecimento da Justiça?

Pastor e integrante de igreja são presos
suspeitos de intolerância religiosa

Os dois seriam responsáveis pela exibição de vídeo contra pais de santo.
Segundo polícia, essas são as primeiras prisões para esse tipo de crime.

19/06/09 - 20h54 - Atualizado em 20/06/09 - 12h41

Um pastor e um integrante de uma igreja foram presos no início da tarde desta sexta-feira (19) na Zona Portuária do Rio suspeitos de intolerância religiosa. Segundo a delegada Helen Sardenberg, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), essas seriam as primeiras prisões, que são preventivas, para esse tipo de crime no estado do Rio. Os dois, um deles o Pastor Tupirani, que são da Igreja Geração Jesus Cristo, foram encaminhados para a delegacia.


Helen afirmou que os dois são responsáveis por imagens na internet em que o homem, que se identifica como Afonso Henrique, faz referências negativas a pais de santo na internet. A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa denunciou o líder religioso ao Ministério Público e à chefia de Polícia Civil, por intolerância religiosa.

Segundo a comissão, a queixa foi feita na quarta-feira (17), depois da exibição das imagens. Ainda segundo a comissão, Afonso seria responsável por um ataque a um centro espírita no Catete, na Zona Sul do Rio. No vídeo postado na internet, ele confessa que participou da ação no Catete, mas ressalta que foi ameaçado. Na época, o Pastor Tupirani condenou o ataque.

A delegada informou também que a investigação mostrou que o pastor foi o mentor intelectual do vídeo. Segundo ela, ele é o fundador da igreja. Os dois serão encaminhados para a carcaragem da Polinter. Eles não reagiram à prisão.

Assista o vídeo no G1:

http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1201265-5606,00-PASTOR+E+INTEGRANTE+DE+IGREJA+SAO+PRESOS+SUSPEITOS+DE+INTOLERANCIA+RELIGIOS.html

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Índios do Brasil

Matéria muito interessante sobre a cultura indígena, especial para o mês do índio...

Para muitos brasileiros, a ancestralidade ainda vive nessas pessoas: 


quinta-feira, 12 de março de 2009

A visão científica da Fé


Cientistas identificam áreas do cérebro ligadas à fé religiosa
Ao pensar em Deus, pessoas usam regiões ligadas à interação com outros. Resultados indicam que não há 'órgão divino' único na mente humana.
Reinaldo José Lopes, fonte G1



A ciência provavelmente não é capaz de provar se Deus existe ou não existe, mas a fé religiosa, pelo visto, é bem real -- ao menos em seus efeitos sobre o cérebro. Pesquisadores americanos estudaram o órgão em ação e conseguiram mapear as regiões cerebrais que entram em atividade quando alguém pensa em Deus, no conteúdo de uma determinada doutrina religiosa ou nas cerimônias ligadas à sua fé.
A pesquisa, coordenada por Jordan Grafman, dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, está na edição desta semana da revista científica "PNAS". A primeira conclusão da equipe é que não existe nenhum "órgão divino" especializado no cérebro. Para processar informações, sensações e emoções ligadas à religião e à crença em Deus, as pessoas utilizam regiões do cérebro que também servem para outras funções do dia-a-dia mental.
Isso vale, por exemplo, para quando os voluntários tinham de imaginar Deus relativamente distante do mundo e das pessoas, sem se envolver com os assuntos terrenos; Deus enraivecido e Deus amoroso. Em todas essas situações, as áreas do cérebro que ficaram ativas, de acordo com exames de ressonância magnética, tinham a ver com a chamada Teoria da Mente. A Teoria da Mente é uma propriedade mental humana que tem a ver com a detecção de emoções e intenções em outras pessoas ou seres. É a capacidade que você usa para imaginar por que um amigo ou um parente ficou bravo com você por algum motivo, por exemplo. Nesse caso, os voluntários estão pensando num agente sobrenatural (Deus) como se ele tivesse uma mente como a de outros seres humanos.
Da mesma forma, áreas cerebrais tipicamente associadas com o raciocínio abstrato, a memória e a fala "acenderam" quando as pessoas tinham de pensar em dogmas de sua religião, enquanto regiões associadas com o processamento sensorial ficavam ativas quando a pessoa tinha de pensar em rituais religiosos. Assim, para o cérebro, decorar informações sobre a Santíssima Trindade não seria muito diferente de aprender uma equação matemática, e assistir a uma missa seria parecido com ir ao teatro, por exemplo.
Os pesquisadores ressaltam que a pesquisa foi feita exclusivamente com cristãos ocidentais. A religiosidade de pessoas de outras partes do mundo pode envolver aspectos cognitivos diferentes.

(Imagem de ressonância obtida de cabeça e torso (Foto: David Brunner e Klaas Pruessmann/Divulgação)

domingo, 1 de fevereiro de 2009

A Cura que vem da floresta


Para tratar doentes, os pajés cantam, dançam, fumam, 
consultam os espíritos e retiram a doença do enfermo usando as próprias mãos.

A pajelança é um ritual indígena, de cura por excelência, pois é praticado em tribos de diversas partes do mundo. Neles os pajés (em algumas tribos há mulheres-pajé) cantam, dançam e fazem encantamentos para invocar os espíritos da floresta, que irão guiá-los na cerimônia, na qual vão tentar retirar a causa da doença do corpo do enfermo.

A eficiência da pajelança vai depender da crença do interessado que se submeter ao ritual. "O fundamental é ter fé", diz o antropólogo americano Robin Wright, diretor do Centro de Pesquisa em Etnologia Indígena da Universidade Estadual de Campinas. "Mas, se não funcionasse, a pajelança não seria uma tradição de milhares de anos entre os povos indígenas." Wright vive há 20 anos no Brasil e pesquisa há décadas os Baniwa - tribo do noroeste da Amazônia, na fronteira da Venezuela com a Colômbia -, que praticam a pajelança. É comum os pajés usarem substâncias psicoativas que os colocam em um estado alterado de consciência. Eles acreditam que, assim, a alma sairá do corpo e entrará em contato com espíritos e outras entidades do Cosmos, que lhes orientarão durante o ritual. O tabaco é a substância mais utilizada para atingir esse estado de consciência. Ele é fumado ou ingerido em grandes quantidades, nas formas líquida ou pastosa.

A doença entre os povos indígenas é interpretada como resultado de um objeto patogênico introduzido no corpo da vítima - seja por bruxaria ou até pela não observância de um jejum recomendado. Para os índios, esse objeto patogênico é um intruso e a tarefa do pajé é identificar a causa e retirá-la.

Os rituais variam bastante, mas, no Brasil, algumas técnicas são comuns a várias tribos, como o uso da massagem em que o pajé manipula com as mãos a parte física adoentada. Outra maneira é a sucção: o sacerdote coloca a boca na região doente, suga o objeto patogênico e depois o vomita.
Em 1986, os rituais de pajelança despertaram atenção internacional quando o cientista brasileiro Augusto Ruschi - considerado a maior autoridade mundial em beija-flores - se submeteu a uma pajelança para livrar-se de males que, acreditava, teriam sido causados pelo veneno de sapos que ele capturara na Amazônia. O cacique Raoni, da tribo Txuacarramãe, e o pajé Sapaim, dos Camiurá, retiraram uma gosma esverdeada do corpo de Ruschi, anunciando que aquela era a causa do mal.

texto de Cíntia Cristina da Silva, extraído da "Revista das Religiões", edição especial - Junho 2004